Slide

PUBLICIDADE


Mais de trezentas pessoas morreram em Mogadíscio, na Somália, vítimas de um atentado terrorista de imensurável proporção e outras mais de 400 pessoas foram feridas.

A destruição foi implacável: VIDAS ceifadas e a localidade devastada.

Só para termos uma ideia, o atentado terrorista contra a sede do jornal Charlie Hebdo, em Paris, França, ocorrido no dia 07/01/2015 ocasionou a morte de 12 pessoas e o último ataque terrorista ocorrido no dia 02/10/2017 em Las Vegas, EUA, tirou a vida de pelo menos 59 pessoas.

Sem dúvida alguma, quando se fala em vítimas fatais do terror, não tem como mensurar o sofrimento com base em quantidade, afinal, são todas vidas de indivíduos que nada têm a ver com tanta barbárie.

A questão é exatamente esta: Por que mesmo diante da gigantesca proporção do atentado terrorista ocorrido na Somália não há ampla cobertura da imprensa, nem grande comoção internacional, como houve nos demais exemplos citados??

Por que paira a sensação de que a vida daqueles indivíduos tem menor importância para o mundo, do que a das vítimas dos EUA ou da França?

Para entendermos melhor a situação, é importante saber que a Somália é um país do CONTINENTE Africano com cerca 14,32 milhões de habitantes, que vive em guerra civil há pelo menos 26 anos.

Parece óbvio que a África é um continente, mas comumente é tratado como um país, ao passo que são negligenciadas as particularidades de cada nação que o compõe, como se todos os africanos fizessem parte de um grande bolo de gente, quando na verdade, cada país Africano possui especificidades em suas línguas, etnia, cultura, religião, costumes; assim como qualquer outro país Europeu ou Americano.

O problema está estampado em nossa frente, mas, preferimos fingir que não existe: a compaixão e sentimento de humanidade tem sido bastante seletivos.

Seleciona qual vida é mais importante, mais frágil e, portanto, “merece” mais solidariedade e mais repercussão. E, tristemente, as vidas que estão sendo relegadas e preteridas são as vidas de pessoas negras. Negros, Somalis!!

Fatos como esse devem nos fazer refletir a dimensão que racismo tem, ao ponto de desprezarmos o maior atentado terrorista ocorrido depois do trágico 11 de setembro (EUA).

Não vemos jornais dando cobertura maciça. São lançadas pequenas notas rápidas, com simples considerações sobre o número de mortes e feridos. E mesmo com a apresentação de números tão alarmantes, não vemos nos veículos de comunicação, nem nas manifestações de autoridades, ser dada importância proporcional ao ocorrido.

São VIDAS, ora!! Mas, vidas negras parecem ser descartáveis.

Aliás, as vidas negras têm sido descartáveis ao logo da história, seja com a escravidão legalizada por centenas de anos ao redor do mundo e cerca de 300 anos aqui no Brasil; o genocídio ocorrido nas nações Africanas motivado pela exploração das riquezas do continente, sem mencionar a diáspora do seu povo.

Foram inenarráveis as barbáries sofridas pelas nações Africanas, as quais serviram para enriquecer países Europeus e Americanos. Mas, a história que nos ensinam atribui à África o estigma do atraso, da pobreza e do simples fornecedor de mão de obra braçal gratuita.

Agora não é diferente.

Muitos Somalis ainda morrerão sem que ninguém saiba. E parece tão lógico quanto o corriqueiro ditado: o que não é visto, não é lembrado.

A indignação diante da morte de pessoas inocentes e frente ao horror, não deveria escolher quem merece apoio, compaixão e luta.

Seja na Somália, na Fraça, nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar do mundo, as vítimas de tamanha crueldade deveriam despertar em nós a mesma solidariedade e os sobreviventes necessitam do mesmo apoio.

Neste momento, apenas me resta expor a tristeza por perceber que não tem sido assim.

Força irmãos Somalis. 
#PrayforSomalia.




Compartilhe com os amigos
Blogger Widgets

Desde quando decidi entrar em transição capilar, passei a ser adepta da técnica low poo, que, bem resumidamente, consiste em usar um shampoo menos agressivo ao meu cabelo crespo, ou seja, com um tipo de sulfato mais fraco do que o geralmente utilizado na maioria dos shampoos que encontramos no mercado, ou até mesmo sem sulfato.

Realmente sinto que utilizando da técnica, meu cabelo está mais brilhante e menos ressecado. Mas, admito, vez ou outra, sinto uma necessidade louca de lavar o couro cabeludo mais profundamente (pode ser loucura da minha cabeça, mas, quem nunca, não é!?). 

Principalmente quando passo muitos dias na praia e rola sempre uma deitada na areia para dar aquele close certo rsrsrs

Sinto que meu cabelo  fica bem sujo, mesmo depois de lavar com shampoo liberado!

Desta vez, na minha escapadinha do low poo, utilizei o shampoo Pantene Pro-V Brilho Extremo. É como seu fosse meu detox, sabe? 

E vou te contar: AMEIIII


Achei que meu cabelo ficaria ressecado, mas não ficou.

Mesmo logo após o shampoo (ou seja, antes de usar condicionador), estava macio e com sensação e hidratado.

E o mais surpreendente é um shampoo transparente, que na maioria dos casos é menos hidratante do que shampoos mais branquinhos ou perolados.

Indico sem medo, pretas. Principalmente para as meninas que não fazem a técnica low poo e precisam de um shampoo hidratante, este é ideal!

Se testarem, contem-me tudo!

Beijo, nêga.



Compartilhe com os amigos
Blogger Widgets

Ela é bonitinha...

Se tem uma palavrinha que me dá gastura é esta: BONITINHA!

VIXEEEEEE!!!!!!

Já parou para analisar que quase toda vez que alguém afirma que a outra é bonitinha, na verdade não acha bonita coisa nenhuma, mas prefere tentar ser educada...não sendo.

Ta confuso, né!? Pera que eu descomplico.

Vou me referir agora a nós, mulheres negra.

Quantas de nós não já ouviu um comentário: "Mas em você ESSE CABELO assenta, porque vc é bonitinha."
ELOGIOS COMO ESSE PREFIRO ABSTRAIR!
As vezes nem vem carregado de uma maldade consciente, mas o racismo está tão impregnado que não permite nem que a pessoa perceba a beleza simplesmente porque você é negra. E ponto.

O "bonitinha" é para dizer que tem um traço ou outro que se adequa ao padrão de branquitude ou como se diz por aí: traços finos.

É desse mesmo buraco que vem a expressão “cabelo bom” ao se referir a um cabelo que não é crespo.
CHEGA!
Eu não aceito mais que se refiram a outra mulher em minha frente deste modo. Que condicione a beleza a ter ou não características físicas que remetam às de pessoas brancas.

Quando alguém vem até mim e diz que meu cabelo não é tão "ruim" assim, ou que eu posso usá-lo porque sou moreninha, largo logo:

EU SOU NEGRA E ADORO MEU CABELO CRESPO!!!!

Vamos parar de ter receio de dar os nomes corretos às coisas, usando outras palavras na tentativa de“amenizar” o que o pensamento racista afirma ser menor, sem valor.

Mas, peraê (em bom baianês), não confundam as coisas. As pessoas não estão proibidas de considerar que outras são feias. Cada um tem sua opinião.

No entanto, se esconder num racismo velado, tecendo "elogios" que mais depreciam do que enaltecem, não dá mesmo!

Te convido então a pensar: será que você não tem limitado seu conceito de beleza a um padrão de branquitude??

Pergunto isso, porque eu já restringi o meu conceito de beleza um dia e só depois que me questionei, entendi como o racismo e o machismo estruturam a nossa sociedade e contaminam o nosso modo de pensar o mundo, pude ampliar minha visão.

Refletir sobre isso foi libertador. E hoje faço questão de elogiar as mulheres negras que me dão espaço, de boca cheia: 
VOCÊ É LINDA, NÊGA!!!!!!
Faça esse exercício, tente expandir seus conceitos e elogiar de verdade. Você pode até mudar o dia de alguém, mas, com certeza irá mudar o seu.


Beijo, Nêga.

Compartilhe com os amigos
Blogger Widgets

Oi, Nêga!!!

Esse post é um esclarecimento que devo a vocês.
 
Aqui no blog falaremos ainda muito sobre racismo e suas manifestações veladas e/ou escancaradas na sociedade, assim, como tratarei sobre desenvolvimento do amor próprio, porque só ele mesmo para nos fazer acreditar que somos capazes de tudo que quisermos! 
Mas, hoje falarei sobre o significado que atribuímos às palavras e expressões que utilizamos no nosso cotidiano; mais especificamente o termo: nêga!  
Como vocês já devem ter percebido, eu moro na Bahia (me divido entre as cidades de Santo Amaro e Salvador) e aqui, muitos de nós temos o hábito de nos referir carinhosamente às amigas(os), companheiras(os) e namoradas(os), chamando de nêga(o), ou preta(o). 
  
Não há nada mais gostoso do que ouvir: "nêga, está precisando de algo?"  Ou "preta, estou com saudades!" e ainda... "Te amo, minha nêga!" 

Confesso a vocês, que antes de entender a importância de reconhecer minha identidade étnica/racial, antes de compreender quem sou, de ter orgulho de ser negra e evidenciar meus traços, meus cabelos; eu também padecia do mal do auto-ódio e tinha receio em utilizar essas expressões para me referir às pessoas queridas.
 
Hoje, em processo de libertação das amarras que me faziam esconder o meu cabelo e a minha negritude, percebo o quanto é bonito e amoroso atribuir significado de cuidado, zelo, carinho às expressões que enfatizam a nossa cor.  
Por outro lado, quando as temáticas ligadas à identidade racial, racismo, feminismo, auto estima, entre outras correlatas, começaram a me interessar de maneira mais profunda, a vontade de compartilhar as reflexões e questionamentos com as pessoas que estavam à minha volta só aumentou e era comum eu ouvir: "Que é, Mônica, que só fala nisso???"  
Por isso a pergunta: Que é, nêga?? 
Para, com carinho, despertar nas minhas leitoras e leitores a inquietação, e criarmos um ambiente de troca conhecimentos, dicas, reflexões... 
Quando nos unimos e ouvimos umas às outras, descobrimos e ressignificamos às coisas, criando uma rede de apoio que facilita à superação das dificuldades que temos que enfrentar.
Eu falo muito rsrsrs, mas também quero te ouvir. Então, deixa aí seu comentário para trocarmos uma ideia massa e juntas nos sentirmos mais fortalecidas!! 
Beijo, nêga!

Compartilhe com os amigos
Blogger Widgets

Transição capilar e a reconstrução da autoestima.



Honestamente, nunca vivi uma história de amor com a minha imagem: baixa estatura, cheia de sardas, cabelo “duro” (era assim que chamavam), nariz de bola!

Eu com cerca de 9/10 anos de idade entre minha prima Marcele à direita e minha amiga Carol à esquerda.
  

Por fora, fingia que estas características, tantas vezes apontadas por algumas “colegas”, não abalavam em nada a minha autoestima. Afinal, a maioria dos adolescentes, quer se auto afirmar e se mostrar confiante perante a sua “tribo”.

Mas, em verdade, quando eu olhava meu reflexo no espelho, via um exemplar de gente que não me agradava.

Acreditem, eu tinha fama entre minhas amigas, de achar beleza em todo mundo e era até criticada por isto, mas não conseguia perceber a minha própria beleza.

Segui minha adolescência com uma autoestima destruída, que me fez, entre outras coisas, permanecer muito tempo em um relacionamento frustrado e ter passado por processos de depressão.

Nesta época, eu ainda não havia despertado para as questões de identidade racial. Não havia discussão profunda acerca do tema no meio que eu vivia, muito menos no seio familiar, de modo que o auto ódio teve espaço para ser construído e sedimentado.

Dentre todas as características, meu cabelo, sem dúvidas, era o que eu mais odiava!!!

A essa altura da vida, eu já frequentava salões de beleza com assiduidade e já aplicava químicas de transformação no meu cabelo (depois conto a minha trajetória capilar na íntegra).  Mas, nenhum procedimento era capaz de mudar definitivamente meu cabelo “duro”, “ruim” e eu concluía que seria sempre inferior às demais garotas enquadradas no padrão "branco" de beleza.

Não pensem que ao chegar à idade adulta esta realidade tinha mudado. Era uma sentença, estava destinado: meu cabelo nunca seria "bom" e, consequentemente, nem eu.

Último alisamento em Dezembro/2015.
Somente durante a faculdade comecei, de forma gradual, a me ver como uma mulher negra e a ser percebida desta forma pelo núcleo social em que eu estava inserida .

Só então passei a me questionar, pois, por ser uma negra com tonalidade de pele um pouco mais clara, embora com todos esses problemas de autoestima, compreendo que tive privilégios.


3 meses sem química de alisamento

A situação começou a mudar quando decidi entrar em transição capilar!

Resolvi parar de aplicar químicas de transformação no meu cabelo e busquei conteúdos voltados a minha identificação como mulher negra. Minha visão parecia se abrir de uma forma inexplicável.

Eu me perguntava: como não havia percebido que precisa mudar e romper com os padrões racistas e machistas que me aprisionaram durante toda a vida?!

Mais que isso, surgiu uma vontade incontrolável de compartilhar com o mundo a minha descoberta: EU NÃO PRECISO ME ADEQUAR AOS PADRÕES!!!!

A transição capilar mudou a minha vida! Fez com que eu aprendesse a me amar e a amar as características que representam minha ancestralidade negra, e isso inclui meu cabelo, minha boca, minha pele.


Usei e abusei de coques durante o processo de transição.
Fez com que eu olhasse ao redor e visse quantas pessoas lindas existem e são oprimidas pelos padrões: negras, altas, magras, gordas, trans...

Quanta beleza escondida em razão da frieza de um modelo inatingível.

E como faz bem se amar...acredite, todas podemos aprender!!!


3 meses após o Big Chop

Reconstrua as histórias contadas durante os séculos, ressignifique, se permita questionar os seus próprios conceitos, verá o amor próprio surgir de forma avassaladora e perceberá um mundo muito mais belo e cheio de cores.

Um beijo, nêgas!

Compartilhe com os amigos
Blogger Widgets

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *